18 de julho de 2015

Cinco passos para começar a meditar

A principal prática dos budistas é a meditação. Desde que me tornei parte do grupo comecei a treinar. Quero dizer, não porque sou budista, mas porque achei importante para minha espiritualidade e, de um modo geral, para a minha saúde. Mesmo quem não é budista pode (e deve) meditar. Não é necessário nenhuma crença, nenhum culto, nada que lhe prenda a algo em que não acredite. É uma prática neutra, sem preconceitos, que beneficia a mente e o corpo.

O que eu não sabia era que o início seria difícil. Como a maioria das pessoas, eu achava que a meditação era feita através do não-pensamento, ou seja, parar de pensar, limpar a mente, aquietar o fluxo de imagens desconexas. Tudo isso sentada em posição de lótus, os braços esticados, dedos unidos, costas eretas – é, pode até ser, mas também podemos meditar sentados em uma cadeira, com as mãos apoiadas nas pernas, ou em posição de qualquer outro mudra. Após descobrir que meditar não é a mesma coisa que tentar se encaixar em um lugar no qual você não cabe, parei tudo o que estava fazendo e fui procurar saber.

Dividi o meu caminho em cinco passos para facilitar a leitura. Contudo, eu gostaria de deixar claro que a iniciação é diferente para cada um. Para mim, esses passos funcionaram (e nem por isso foi fácil). Para você, espero que ao menos encoraje, ou ajude de fato. Boa sorte!


1. Começando do começo
O que, afinal de contas, é meditar? Eu me fiz essa pergunta quando comecei a levar a sério. Confesso que a imagem que eu tinha era totalmente estereotipada e percebi que se continuasse assim jamais aprenderia. Portanto, bati à porta do dr. Google e ele me deu todas as respostas. Minha primeira fonte foi o Lama Padma Samten com seu vídeo Para começar a meditar. Nada como um Lama para nos guiar, é o que eu digo. Depois procurei um relato pessoal. Não só o encontrei, como acabei conhecendo uma excelente blogueira: como começar a meditar, publicado no blog da Rita, me deixou bem mais tranquila em relação a algumas dúvidas. A partir daí, foi fácil encontrar material e compreender a técnica. Ainda passei por textos como 6 maneiras eficazes para você começar a meditar, do Yogui.co, e dei uma lida na apostila de J. I. Wedgewood. Eu me sentia, teoricamente, pronta.

2. Mas e o ambiente?
A minha casa está “acordada” quase o tempo inteiro: cachorros brincando, latindo, mãe na cozinha, no quintal, no jardim, no ateliê. À noite, quando as coisas devem se acalmar um pouco, a televisão está alta demais, os cachorros querem atenção. Além de tudo isso, meu bairro é absurdamente barulhento: motos sobem e descem a rua o tempo todo, outros cachorros latem, pessoas falam alto, carros buzinam, músicas tocam no último volume. O que eu fiz? Sentei e chorei. A vontade era de desistir antes de começar. Mais uma vez, fui pedir uma xícara de soluções para o Google. Ele me deu, de bandeja, o Meditação Brasil com mantras e áudios gratuitos para download e o Ventos de Paz (onde me apaixonei por Snatan Kaurh Khalsa, procurei por mais músicas dela no Youtube, que por sua vez me ofereceu outros tantos mantras e músicas para meditar “com o barulho certo”).

3. Colocando em prática
Mesmo tendo esclarecido algumas dúvidas sobre a técnica e arranjado sons apropriados para a prática ainda me vi um pouco perdida, sem saber por onde começar. Aproveitei que estou viciada em celular (inclusive, tentei me desapegar dele por uma semana, mas falhei miseravelmente) e baixei alguns aplicativos para ver se a coisa andava. Andou! Confesso que fui meio desesperada ao pote e baixei vários, logo de cara. O 5' Minutos, Eu Medito, por exemplo, te lembra a meditar todos os dias por cinco minutos. Foi bom para mim, que não estava acostumada com a rotina. Mas os que eu realmente gostei foram o Insight Timer, que controla a duração de sua meditação, e é ótimo para quem está começando, ou não tem noção de tempo; o Sattva - Let's Meditate, com um ótimo design, bons mantras e músicas; e , por último, o mais querido de todos: Headspace. O Headspace é um excelente aplicativo que oferece dez dias de meditação guiada. Foi ele que, no fim das contas, me fez deslanchar. O problema é que após as dez sessões você precisa pagar mensalmente para continuar com o serviço.

4. Um apoio é sempre bem vindo
Em seguida, sem perder tempo, encontrei o The 30 Day Meditation Challenge (inglês), do site DoYouYoga, com a Faith Hunter. Fiz minha inscrição e acompanhei o passo a passo. O desafio me fez sentir mais à vontade na hora de meditar, com a sensação de que, finalmente, eu sabia alguma coisa – não tudo, mas mais do que sabia quando comecei. Não vou dizer que o desafio foi perfeito. Às vezes, me sentia incomodada com o notebook ligado, isso me distraía um pouco, e vídeos não chegam a ser minha forma preferida de aprender a meditar. Por outro lado, a Faith Hunter teve sua importância no meu processo, dando dicas valiosas. Não vou mentir, eu tinha preguiça de meditar todos os dias. Eu precisava de alguém me incentivando, de um desafio para me manter motivada. Trinta dias, no início, me pareceram impossíveis, mas quando tudo terminou, deixou saudade. Consegui continuar minhas meditações sozinhas, mais confiante comigo mesma, sabendo que poderia encontrar apoio na internet assim que precisasse.

5. E quando a ajuda cai no seu colo?
Bom, eu acho que estou indo bem sozinha. Pelo menos por enquanto. Não sei como vou evoluir, nem estou pensando nisso agora, para ser sincera. Mas, mais para frente, lá no futuro, já estou com um olho no gato e o outro no peixe! Encontrei o Medita SP, que oferece um curso gratuito de meditação. Sim, eu poderia ter simplesmente feito minha inscrição para aprender com um instrutor, só que estou numa época agitada, cheia de coisas para fazer, estudo, enfim: não tenho tempo para me deslocar até o local das aulas e ficar por lá. O tempo que tenho para meditar, hoje em dia, é à noite, após um dia inteiro de trabalho. E como eu queria muito começar essa nova fase, então dei os meus pulos e “aprendi” (estou aprendendo) sozinha. É claro que, se você tiver disponibilidade, deve ignorar todos os outros passos e correr para fazer sua inscrição. Caso contrário, espero que o meu caminho sirva, senão como prática, pelo menos como incentivo – pois é possível, sim, aprender a meditar em casa.

Namastê!

3 comentários:

Natalia Francis disse...

Sabe que eu já meditei algumas vezes e meu maior problema é: preguiça e barulho em casa. Gostei bastante do seu passo a passo e acho que vou pegar suas dicas para praticar, afinal assim como você, não tenho tempo para fazer aulas. Parabéns pelo texto!

Namastê!

www.aeabstrato.com

Flor disse...

Eu tentei meditar, mas provavelmente do jeito errado :~ e também sempre com aquela resistência de que sou inquieta, ansiosa, de que é impossível esvaziar a mente, etc. Vou tentar baixar os aplicativos e ver se a coisa anda, a trilha sonora eu já tenho :p tem uma playlist de mantras no spotfy (pelo menos durante o mês gratuito ou com o wifi rola de usar) é bem sensacional. além das músicas pra relaxar, claro. dicas muito uteis, thks!

Flor disse...

Eu tentei meditar, mas provavelmente do jeito errado :~ e também sempre com aquela resistência de que sou inquieta, ansiosa, de que é impossível esvaziar a mente, etc. Vou tentar baixar os aplicativos e ver se a coisa anda, a trilha sonora eu já tenho :p tem uma playlist de mantras no spotfy (pelo menos durante o mês gratuito ou com o wifi rola de usar) é bem sensacional. além das músicas pra relaxar, claro. dicas muito uteis, thks!

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