4 de julho de 2015

Diário de um bonsai (capítulo 1)

Quando eu tinha dezesseis anos de idade ganhei um bonsai – daqueles de supermercado, cuja teoria imbatível, de minha autoria, calcula não mais do que dois meses de vida predestinados. Dito e feito: o bichinho morreu, apesar dos meus esforços em mantê-lo vivo e verde. Dizem que devemos trocar a terra após a compra, que aquela não é adequada, só serve para que a planta não morra durante o transporte e a exposição nas gôndolas. Aliás, dizem muitas coisas a respeito de bonsais e eu não tenho paciência para, no mínimo, 70% delas. Quero dizer, pelo visto passei a ter a calma de um monge em determinado momento porque resolvi, de repente, começar um bonsai do zero.

Não fiquei traumatizada com a morte prematura do meu primeiro bonsai, pois sempre soube, lá no fundo, que a culpa foi minha. Eu não estava pronta para ele e, para ser sincera, um bonsai precisa muito mais do que a vontade de tê-lo e dinheiro no bolso. Pode parecer idiota (e talvez realmente seja), mas até mesmo maturidade é necessária para se ter um bonsai de sucesso. Hoje, eu tenho tudo isso e um pouco mais. Numa tarde qualquer, daquelas que você não espera nada a não ser dar logo 18 horas, escolhi minha árvore, abri o Google e respirei fundo.



08/06/2015 – PLANTIO
Na minha primeira tentativa fiz tudo o mais certo possível para que depois, se desse errado (e deu), eu pudesse colocar a culpa em qualquer um menos em mim. Fiz o teste de fertilidade, ou seja lá como isso se chama, colocando as sementes num copo com água: as boas deveriam afundar e as ruins boiar. Ou era ao contrário? Bom, não importa já que deu errado. Coloquei as sementes “boas” juntamente com um papel toalha úmido dentro de um pote com tampa para germinar antes de plantar. Foi todo mundo para a geladeira, de onde só saíam uma vez por semana para trocar o papel. Olha, oito semanas depois não havia o menor sinal de que aquilo estava dando certo. Ninguém germinou e eu fiz papel de trouxa. Mais uma vez.

Dessa vez, eu chutei o pau da barraca. Tirei as sementes da maçã, coloquei ao sol num papel toalha para que secassem bem e dois dias depois enterrei em um vaso com terra e substrato. Ouvi dizer que o inverno é a época ideal para o plantio, então me preocupei, no mínimo, com isso. Resolvi deixar o vaso no parapeito da janela do meu quarto para que eu possa acompanhar a evolução (ou o fracasso) de perto. Durante o inverno essa janela é um local onde bate sol só à tarde e procuro regar as sementes todos os dias (isso quer dizer que às vezes eu me lembro, às vezes não).


01/07/2015 – BROTOS?
Bem, estamos num impasse. No dia 23/06 postei uma foto no meu Instagram, cheia de esperança. No vaso havia um brotinho de qualquer coisa. Veja você, era um broto, estava verde (vivo!), dentro do meu vaso de bonsai. Hoje, dia 01/07 há vários brotos, o que significa que pelo menos a rega estou sabendo fazer e que seja lá o que houver de vida nesse vaso, ela está gostando do sol e tudo o mais. Comparando meus brotos com os de maçã que o Google me mostra, nem de longe parecem ser a mesma coisa. Os meus matinhos zueira (como resolvi divulgar no Twitter), todavia, continuam se propagando. Não sei o que vai sair daí. Só sei que por bem, ou por mal, farei um bonsai.

3 comentários:

Margery L. disse...

kkkk adorando acompanhar essa saga.

Alessandra Rocha disse...

HAHAHAHAHAHHAAH menina, QUE PACIÊNCIA!
Boa sorte na saga do Bonsai!

Ana Jähne disse...

oremos pra que me olho falhe... mas tá com cara de bonsai de mato.
(vai ser näo, vai ser näo, vai ser näo)
mas enfim... tô doida pra ver o resultado!

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