31 de julho de 2015

Não sei de mim

Eu nem sei como arranjei tempo para escrever estas linhas. Os últimos dias tem sido tão intensos por conta da castração da Luna, que não tenho sequer certeza de quem sou. Ainda sou a mesma de antes, ou a semana foi dinâmica a ponto de me embaralhar? Sinceramente, não me encontrei para tirar essa dúvida. Mal dormi na noite que antecedeu o dia da cirurgia dela, pois como vocês sabem eu estava uma pilha de nervos. Fiquei pior ao saber que a Luna ficaria internada praticamente o dia todo e que minha presença estava dispensada. Fui obrigada a sair da clínica sem ela nos braços e chorei, sim. Qual é? Sou adulta, mas tudo tem limites.

À tarde fomos buscá-la, após a castração bem sucedida, e nossos corações se cortaram em mil pedaços com o choramingo da recém-operada. É lógico que estava doendo para caramba. O fato de ela não poder se expressar por palavras só tornava a situação mais difícil para todo mundo. Voltamos para casa, ela de roupinha pós-cirúrgica, nós com uma listinha de remédios. Não foi fácil. É isso que posso dizer. Não que eu estivesse esperando uma beira de piscina e uma salada de frutas, mas o buraco é sempre mais embaixo. O mínimo que eu podia fazer era montar um “acampamento” no ateliê, almofadas do sofá espalhadas pelo chão, e mimá-la o máximo possível para que ela passasse a primeira noite o melhor possível.

me cortei da foto porque ninguém merece.

Não preguei o olho. Troquei de lugar com minha mãe, mais tarde, tentei dormir e no fim só cochilei um pouco. Não adianta, quando um membro da família está doente, ou sensível, todo mundo entra na dança. No dia seguinte, Luna estava nova em folha. Minha mãe e eu, em compensação, mortas de cansaço. Levamos o dia com o que tínhamos (que era pouco, bem pouco) e, a bem da verdade, só tentamos sobreviver e não dormir em pé. Passei o dia inteiro pensando na minha cama, em como ela deveria estar confortável e que legal seria a noite que estava por vir. É provável que eu tenha desejado demais, ou ainda estava preocupada com a Luna, fato é que passei a segunda noite sem dormir de novo.

Pensem no meu estado de espírito. Nada evoluiu. Essa semana é uma neblina (nevoeiro, cerração?) espessa, daquelas brabas, não enxergo a um palmo do nariz. Não me lembro o que fiz, o que deixei de fazer, das minhas respostas no WhatsApp, do que andei publicando na internet. Talvez uma calcinha minha apareça pendurada em algum lugar improvável, vá saber, é uma surpresa que estou disposta a enfrentar. A Luna, por outro lado, já começou a dar trabalho novamente. Não faço ideia de como vou fazer para manter os pontos no lugar. Tenho quase certeza de que chegaremos na consulta de retirada e o veterinário dará um sermão homérico. Vou mandá-lo tomar no cu? Vou porque estou sem dormir direito há dias – é direito adquirido.

Luna é carinhosamente chamada de “cabrita” por motivos óbvios. Quando dr. Ian disse que ela não poderia subir/descer dos sofás e camas eu só suspirei. Inocente, esse doutor. Sabe de nada. Pular é a única coisa que dá prazer genuíno para essa cadela e não me veio à cabeça, naquele instante, nenhuma maneira de impedi-la. E assim foi. Claro. No dia após a cirurgia lá estava ela pulando. Ferozmente, quase com raiva. Foi um pônei na vida passada. Só pode. Tentei colocar ordem na bagunça – tipo mãe de primeira viagem. Depois do décimo quinto pulo, porém, joguei a toalha. Estamos no quarto dia pós-cirúrgico. Eu não estou conseguindo trabalhar, meu sono está atrasado, minha TPM completa duas semanas. E quer saber de uma coisa? Estou mesmo a fim de levar bronca do veterinário. A adrenalina de uma discussão é a única coisa que poderá me manter viva.

5 comentários:

Jana disse...

Pensei que eu fosse á única chorona. Pude ficar com a minha branquinha, mas quando aplicaram a anestesia, eu já estava no maior berreiro, me colocaram pra fora! hahaha

Coração de mãe não é mole, hein ♥ rs

PS: não quebram tão fácil, os pontos. Já tive duas gatas castradas e agora essa cadelinha. Nunca vi mais impossíveis e, mesmo assim, foi preciso cortar porque não "caíram" de jeito nenhum. Fica. Calma. =P

Amanda Tracera disse...

Imagino a barra que deve ser, porque é impossível não se preocupar com alguém que a gente ama tanto. Melhoras pra Luna, tomara que ela fique bem logo <3
E boa sorte pra você, porque só com muita sorte e muita reza pra você conseguir continuar nessa rotina louca. Vai dar tudo certo! :)

Blank Space disse...

Passei por algo semelhante com a minha gata. O pior foi que ela ficou muito nervosa na hora da anestesia e ficou traumatizada. Era super dócil e quase nunca mordia ou arranhava, e o estresse que ela passou no dia da cirurugia a deixou um pouco mais agressiva e dependente. Passei muitas noites sem dormir porque os pontos da minha gata demoraram muito a cicatrizar, me desesperei, chorei, até que a veterinária receitou uma pomada e finalmente, após três longas semanas, eles fecharam. Esse período é realmente muito difícil, nunca tinha passado por algo assim, mas o lado bom é que, bem... ele passa. Depois que os pontos cicatrizarem sua cadelinha ficará bem novamente e você vai sentir um alívio indescritível. Espero que ela se recupere bem, fique firme que vai dar tudo certo. :)

Edgar disse...

Tem um colar pós-cirúrgico que não deixa o bicho mexer no local da cirurgia. Com o meu cachorro até que funcionou por um tempo. Enquanto estava com aquele abajur na cabeça, o John não coçou os pontos nem fez grandes estripulias acrobáticas. Talvez funcione com a sua "cabrita" também. Quanto ao resto, tudo ficará bem.
:)

Ana Luísa disse...

Ai cara, bichinho doente corta demais o coração, né? Justamente porque eles não conseguem expressar com palavras exatamente o que estão sentindo pra gente tentar resolver :(
Quando a minha foi castrada ou teve alguns outros problemas de saúde eu ficava pra morrer :((
Mas vai ficar tudo bem com a Luna e logo logo ela estará sapecando por aí, sem pontos novamente!
Beijos

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