24 de julho de 2015

Ultimamente não tenho existido muito

Se eu dissesse que estou sem assunto estaria mentindo. Há o que ser dito, mas me falta o gatilho. A verdade é que nos últimos dias tenho levantado da cama e sorrido mais para agradar aos outros, e não preocupá-los, do que por vontade própria. Se dependesse só de mim, tudo seria cancelado num piscar de olhos, sem mais nem menos. Bordar está me enchendo o saco; as colagens no meu journal estão me enchendo o saco; quebrar a cabeça elaborando um texto para o Bonjour Circus está, enfim, me enchendo muito o saco.


Parte é por causa da TPM, sim, não há porque negar. Outra parte é pela falta de vagas em feiras artesanais, que me impede de levar meu negócio para o próximo passo. E ainda tem o meu bonsai que não caga nem desocupa a moita – é mato, trevo, broto de maçã, um avião, ou o Super-Homem? Não sabo. Confesso que estou um tanto frustrada. Eu não sou de pedir muito então, por favor, dê certo, bonsai maldito.

Recebi uma proposta de emprego para trabalhar novamente como au pair, mas dessa vez no Canadá e apenas por três meses. Passei uma semana cogitando a ideia, colocando os prós e contras num papel. Achei que minha carreira como viajante sem fronteiras estava encerrada e foi uma enorme surpresa ter sido convocada para o que seria minha segunda chance de conhecer o mundo. Sabe o quê? Recusei. Apesar de o psiquiatra ter tirado um, dos dois remédios do meu tratamento, meu estado emocional não está devidamente calibrado. Eu sei que três meses é pouquíssimo tempo para quem trabalhou fora do país por um ano, o problema é que não houve compatibilidade com a família que me solicitou. E taí um erro que não cometo mais: aceitar o emprego só porque vou conhecer um país novo. Vá por mim, jovem senhora que cogita a ideia de se jogar na profissão de au pair, nem sempre vale a pena arriscar tanto na ânsia de desbravar novos territórios. Um dia escrevo qualquer coisa sobre essa carreira.

A Luna está prestes a ser castrada e isso tem me deixado um pouco, digamos, com os nervos à flor da pele. Passo a impressão de que a castrada será eu, e olha que não me parece má ideia. Estou conectada certinha com a vibe de arrancar tudo o que possa me fazer mal nos próximos dez anos, mais ou menos num missigura senão eu vou. Não fosse a corda-bamba do “ter, ou não ter, filhos” é possível que eu já tivesse tomado uma decisão precipitada e estivesse aqui escrevendo um texto de arrependimento. A Luna, por outro lado, está muito tranquila, completamente alheia ao que a espera. Vou precisar de muito apoio emocional e financeiro para conseguir superar mais essa fase.

No íntimo, também me sinto alheia a tudo. Sinto que coisas estão acontecendo, pessoas se moldam ao meu redor como massinhas, e eu deixo passar batido. Há em mim uma árvore movendo seus galhos ao sabor do vento. Alguns frutos caem enquanto me mantenho apática. É desesperador (um pouquinho), mas não consigo. O resultado é mais chocolate do que o recomendado, minha pele está mais oleosa do que o normal, passei os últimos dias usando pijamas, as pantufas são minhas melhores amigas. Uma lista de textos se acumulou na pasta do blog, não por falta de ideias para escrevê-los, mas porque eu não quero. Venha me obrigar. Portanto, não estranhem se aparecer, vez ou outra, um post abstrato sobre coisas legais que vi na internet, pois é mais fácil copiar e colar do que me espremer para ver se sai alguma coisa.

Eu vou ali na esquina comprar cigarros e “volto logo”.

2 comentários:

gostodecanela.net disse...

menina você me fez lembrar das latas maravilhosas de Fiesta q acho que nem vendem mais D:

e sobre teu post, super te entendo pq tenho andado assim com a vida e com o blog.. tenho o mantido postando uma vez a cada 15 dias, a cada 10 dias e ainda assim tem sido meio sofrido escrever, pensar, postar.. não tem rolado ânimo mesmo..a vontade é só trabalhar seguir a vida e tentar sentir a vida menos virtualmente possível, ainda mais com a minha mudança pra SP, tem sido tudo tão novo que a ultima coisa que quero fazer é parar na frente de um notebook.

espero q meu tempo assim "sem existir muito" passe logo pra um "existir melhor" e o seu também <3

Fatima Teixeira disse...

Oi!

Fiz questão de deixar mensagem desta vez que venho ao teu blog pois agora o assunto é sério! :-)

Decisões, acima de tudo, devem ser feitas por nós mesmos e pelo que dita dentro de nós. E isto foi o melhor que li no teu post. A tua decisão sobre a proposta de trabalho. A tua vontade. Aquilo que sentes e que tu decides para ti!

Quanto ao resto, por vezes interpretamos as coisas consoante a fase que estamos vivendo. Se estamos mais angustiados, tudo soa mais triste. Se estamos mais negativos, tudo soa ruim... Então, por um lado deixa te influenciar pela tranquilidade da Luna. Eu sei que não é ela que vai pagar a esterilização, mas a "paz" dela vai fazer-te bem em outros pontos da vida.

Acredita no teu negócio, mesmo que pareça não estar progredindo. Acredita mais em ti do que em qualquer medicação. Acredita na tua força interior para escrever texto interessantes que continuam trazendo leitores. Continua sendo verdadeira contigo mesma, mas procura interpretar tudo pela visão que te leva onde tu queres ir!

Meu conselho muito pessoal, neste momento passa um tempo sem fazer nenhum com a Luna ou continua tendo ideias para o teu negócio que é aquilo que amas e te motiva!

Uma boa semana!!!

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