24 de agosto de 2015

A volta daquela que não foi

(faz uns dez anos que quero usar esse título em um post)

Não posso dizer que estou contente com as últimas postagens do Bonjour Circus. Eu bem que avisei que estava de saco cheio de tudo e “uma lista de textos se acumulou na pasta do blog, não por falta de ideias para escrevê-los, mas porque eu não quero. Venha me obrigar. Portanto, não estranhem se aparecer, vez ou outra, um post abstrato sobre coisas legais que vi na internet, pois é mais fácil copiar e colar do que me espremer para ver se sai alguma coisa”. Vocês devem ter percebido que cumpri com a ameaça. Bem que eu adoraria escrever como se não houvesse o amanhã, mas a verdade é que me falta espaço. O problema não é o tempo nem a criatividade – estou falando de espaço mesmo. Minha cabeça está fervilhando de ideias, entrei novamente na paranoia literária de querer ler todos os livros do mundo e minha vida offline está atipicamente sedutora.


Ou seja, tem bastante coisa acontecendo e eu não tenho lá muita vontade de parar tudo para vir aqui contar. Cheguei a pensar em escrever um texto sobre o dia em que me perdi na minha própria cidade e que fiquei preocupada quando o ônibus subiu um viaduto, pensando que acabaria no Guarujá, ou coisa parecida, e que então eu seria obrigada a dar um mergulho no mar, de roupa, só para não dar o braço a torcer. Mas veja você, isso é história que se conta num único parágrafo. No fim, encontrei meu caminho, apesar de estar dez minutos atrasada. Ainda assim me dei bem porque a outra pessoa chegou com trinta e cinco minutos de atraso sendo que morava há cinco minutos do local combinado. Para você ver que minha vida é um circo.

Outro fator que atrapalhou bastante o rendimento do blog foi a troca de medicamento que meu psiquiatra achou de bom tom fazer em pleno início de agosto. Esse mês já não é assim, a melhor coisa do ano que pode me ocorrer, e depois do antidepressivo de 15mg degringolei de vez. Eu acordava querendo dormir, para vocês terem uma ideia; não conseguia formular frases minimamente compreensíveis; minhas mãos tremiam e eu não sabia como bordar com elas daquele jeito; meu emocional ficou tão sobrecarregado que fiquei com medo de estapear um inocente sem razão alguma. Daí você diz: “ué, era só ter passado no médico e pronto”. Te amo por sua inocência. Minhas consultas são através do SUS (porque psiquiatras são caríssimos) e ninguém nesse sistema atende sem consulta marcada. Não adianta chegar na recepção dizendo que o psiquiatra está de sacanagem. Se o paciente não estiver levando as próprias tripas num balde, esquece! Então estou me virando com o resto do remédio antigo. Melhorei consideravelmente, mas a expectativa da próxima consulta marcada está me matando. Eu preciso olhar aquele homem nos olhos e dizer: “você quase me matou”.

Semana retrasada (eu acho, não sei, também não importa) fui à Paulínia por motivos de passear e “vai tomar um sol, menina, pelo amor de deus, está com cor de doente”. Para quem não sabe é uma cidade do interior paulista de economia petrolífera, se não me engano. Um charme. Fui com medo de morrer de tédio, mas acabei me apaixonando pelo lugar. Resultado: estou estudando possibilidades de me mudar para lá. Não sei se vou com ateliê e a trupe, ou se presto um concurso antes de me estabelecer. A única certeza que tenho é que preciso mudar de ares. Quero mais tranquilidade e segurança para o meu dia a dia. De repente, São Paulo passou a sobrar em mim. Está demais. Já deu. Não consigo andar nas ruas agarrada a minha bolsa; estou com nojo de respirar poluição; cansei de viadutos. Estou estressada, é isso.

E ainda tem mais?
Tem, mas acabou.

3 comentários:

Ana Jähne disse...

as vezes é mesmo de uma mudança de ares que a gente precisa pra ganhar mais 'espaço' e acalmar o fervilhäo... (e de repente umas férias já ajudam, né?)

Tawani Nunes disse...

Entendo, talvez a mudança realmente melhore as coisas. Desejo o melhor. E melhoras.

Magda Albuquerque disse...

Mudanças são bem vindas quando tem intenção do nosso bem estar, bem viver.
Que a calmaria se estabeleça. Fazia tempos que não passava aqui em seu blog, mas que bom lembrar desse cantinho e já que você não foi, e voltou, agora eu que fico por aqui. Haha.

Beijos.

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