23 de setembro de 2015

Sobre o que eu vou falar?

É o que eu tenho me perguntado. Vou falar sobre o quê? Estou evitando cair na mesmice, bater na mesma tecla, ser repetitiva. Bem que eu queria me gastar nos assuntos que me interessam, mas não tenho tanta certeza se interessam a vocês também. Até tentei escrever um texto sobre Geraldine Doyle e o quão errado é usar “seu” pôster como símbolo feminista. Para mim, não faz o menor sentido. A questão é: as pessoas querem saber isso? Ou está tudo bem do jeito que está? O pôster, afinal de contas, fica bonito na parede.

E sobre minha depressão? Quem nesse mundo ainda aguenta ler sobre depressão?! Resolve chegar aqui e contar que essa semana não tem sido fácil? Não resolve. A única coisa que posso fazer é esperar. Isso, e ter fé de que um dia as pessoas entenderão que não é tão simples quanto parece. Num dia estarei bem, no outro, não. Preciso aproveitar os dias em que “faço sol” para trabalhar o máximo possível (ninguém mandou mexer com criação), lavar as roupas, cuidar um pouco de mim para quando as nuvens chegarem estar tudo pronto e, mais ou menos, a salvo. Ter aprendido a me preparar para receber a depressão me salvou. Agora só preciso que os outros entendam que às vezes eu sou assim, às vezes não.

Eu gostaria, aproveitando o embalo, que as pessoas também compreendessem que não sou o meu pai. Nunca serei. Se há dias em que acordo de mau humor e dou uma resposta atravessada, não é porque sou azeda como ele. É só mau humor – dormi mal, tive pesadelos, a noite estava quente, não sei. Se estou nervosa, impaciente e, sem querer, sou ríspida, não é porque sou mau caráter como ele. É só TPM; ou frustração; ou pisaram no meu calo primeiro; ou, simplesmente, me desculpe, mas eu tenho o direito de ficar assim de vez em quando. E ainda, se estou tratando alguém mal é porque me trataram mal primeiro – tudo bem eu ser filha de quem sou, mas isso não me tira o direito de me defender.

Estamos combinados?

E se eu falasse de pernilongos? Vocês acreditam que consigo fazer uma conexão entre eles e as ciclofaixas do Haddad? Pois é, eu não gosto do nosso prefeito. Sinto muito. Qualquer coisa que ele faça será puro desperdício, para mim. Mas aí está, ninguém merece textão político no Bonjour Circus. Para isso temos o Facebook. Falarei apenas que os pernilongos, por causa desse calor de Mara, não estão me deixando dormir. Ontem mesmo achei que acordaria de manhã com dois cotocos no lugar dos meus pés de tanto que eles me picaram. Não, não uso repelente elétrico, pois esse aparelhozinho me cheira à câmara de gás. Quem, em sã consciência, liga um veneno (seja para o que for) dentro do quarto? Parem de ser loucos, por favor. Estou atrás de um mosqueteiro. Quero dizer, de um mosquiteiro e de plantas, que repelem os bichinhos naturalmente.

Está aí outra questão: matar mosquitos. Eu, enquanto budista, posso matar mosquitos? Acho que não. Cada vez que esmago um entre as mãos me lembro de Elizabeth Gilbert meditando sem dar a mínima para as picadas que sofria. Minha heroína. Não consigo passar uma noite sem dar tapas em, pelo menos, uns seis. Depois me arrependo, óbvio. Não que eu ache que algum bisavô meu tenha reencarnado no pernilongo. É que são animais, né? E eu parei de digitar agora só para matar mais um. Eu sou um caso perdido, Universo.

Enfim, não quero falar.
Mideixa.

2 comentários:

Carol Oliveira disse...

Acho tão engraçado isso, quando a gente não quer falar sobre as coisas, mas meio que quer e ai quando começa a falar desanda e não para mais.
Só sei que adoro ler coisas na linha "pensamentos randômicos tô pensando em voz alta opa tem gente ouvindo?", sei lá, explorar um pouquinho a cabeça alheia sempre parece uma ideia interessante.

livroseoutrasfelicidades disse...

risos muito altos: "Mas aí está, ninguém merece textão político no Bonjour Circus. Para isso temos o Facebook." perfeito. Eita pessoal que não quer parar de dar opinião sobre tudo!

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