12 de setembro de 2015

Tenho uma fraqueza sentimental pelos meus livros*

Assisti o vídeo onde Aline Aimee responde a tag “Poderoso Chefão”. Minha inspiração para ler novos livros, conhecer autores e gêneros diferentes sempre se renova quando visito o canal dela no Youtube (e quando leio o blog dela também). Daí que resolvi participar dessa tag porque sou arroz de festa (e porque O Poderoso Chefão mata a pau).

1. “Se um homem honesto como você tivesse inimigos, então eles seriam meus inimigos e temeriam você” – Qual livro te deu mais medo?
Medo, medo mesmo, não senti com livro algum. É bem mais fácil isso acontecer com filmes; sou do tipo que fica semanas dormindo com a luz acesa. Por outro lado, enquanto eu lia O Demônio do Meio-dia, de Andrew Solomon, várias vezes me veio um frio na barriga. Nesse livro, Andrew expõe o histórico de sua depressão e o de outras pessoas também; compartilha informações sobre a doença e, enfim, assim como indica o subtítulo do livro (“Uma Anatomia da Depressão”), o autor não nos esconde nada. Como já comentei no blog tenho TAG, portanto, ler as histórias de alguns pacientes com depressão severa me fez temer chegar àquele ponto. Lembrei-me do dia em que tive de ir a uma emergência psiquiátrica (nem me pergunte) para resolver um pormenor e ao mesmo tempo chegou uma ambulância trazendo uma mulher em crise de histeria. Acho que os gritos dela jamais sairão da minha memória. Olhei apavorada para minha mãe, que me acompanhou, e com os olhos marejados eu disse: “não quero terminar assim”. E esse tem sido o meu principal objetivo: não perder o controle.

2. “Nunca odeie seus inimigos, isso atrapalha seu raciocínio” – Qual o livro mais confuso que você já leu?
Eu estava animadíssima para ler O Circo Mecânico Tresaulti, de Genevieve Valentini. Apesar de me lembrar bastante d'O Circo da Noite, de Erin Morgenstern, do qual não gostei tanto assim, gostei da proposta e do trabalho gráfico (não posso negar). Não adianta, eu não aprendo. Continuo criando grandes expectativas em cima de pouca promessa. A história demora mais da metade do livro para começar e quando desanda é difícil entender o que está acontecendo, muito menos as razões para qualquer coisa ter acontecido. Para mim, pelo menos quase nada fez sentido e como se não bastasse a história tem cara de que terá continuação. Bom, é o que eu espero – o mínimo que a autora pode fazer por mim depois de tanta decepção. Genevieve Valentini é criativa, sem dúvida, mas bem que ela poderia ter distribuído tanta inspiração ao invés de jogar tudo num único pinico.

3. “Quem lhe oferecer segurança será o traidor” – Qual livro te decepcionou?
Eu vivo me decepcionando com as leituras que escolho. Não sei o que fazer em relação a isso. Tenho tantos livros avaliados com uma, ou duas estrelas que chego a me perguntar se sou realmente uma leitora. Talvez eu esteja forçando a barra? Não sei. No fundo eu acho que meu maior defeito é esperar demais dos outros. Escolhi falar sobre O Segredo do Meu Marido, de Liane Moriarty, que foi elogiado pela maioria das pessoas que conheço, ou que dou a mínima para certas opiniões. “Tem cara de chick-lit, mas é muito bom”, elas disseram. Eu, que estava fugindo dele justo por se parecer com um chick-lit do qual eu fugiria feito o diabo da cruz, resolvi acreditar. Olha, erraram. Os personagens são ocos, a história não se entrelaça satisfatoriamente e eu saquei o final um pouco depois de ter passado da metade da leitura; o que me deixou, digamos, desgostosa porque não quis acreditar que seria aquilo e no fim era aquilo mesmo, puta que pariu, onde vamos parar?

4. “Nunca deixe que ninguém de fora da família saiba o que você está pensando” – Qual livro te fez pensar na vida?
Vários! O mais recente, sem sombra de dúvida: As Aventuras de Pi, de Yann Martel – o livro que me deu taquicardia. Estou acostumada a descobrir o fim de um livro logo na metade, ou um pouco depois. Isso vive acontecendo. É quase normal (o que não torna o fato menos frustrante). No entanto, com As Aventuras de Pi foi diferente por causa de um único fator: é um indiano que conta a história. E para os indianos tudo é possível, ou seja, por que não? Sim, preciso trabalhar esse meu lado influenciável. Pi Patel me levou na conversa direitinho, esse desgraçado. Eu sei que muitas pessoas não gostaram do livro, mas para mim foi um tipo de insight. Fiquei semanas pensando sobre a vida e tudo o mais. Até hoje não tenho forças emocionais para assistir o filme.

5. “Um advogado com uma pasta na mão pode matar mais que mil homens armados” – Qual livro te surpreendeu?
A Amiga Genial, de Elena Ferrante. É engraçado, né, o meu jeito. Quando todo mundo diz que é bom, eu acredito e me dou mal. Daí resolvo não acreditar, mas entrar na brincadeira também, dando nada pelo livro e... não é que é bom mesmo? Eu engoli A Amiga Genial. Não é o meu preferido, nem acho que eu vá ler mais uma vez, mas é muito melhor do que eu esperava (na verdade, eu estava prontíssima para tacar meu exemplar pela janela, veja só). Elena e Raffaella são personagens que eu adoraria ter criado. Não vejo a hora de ler o segundo volume!

6. “Mantenha seus amigos perto e seus inimigos mais perto ainda” – Quem é seu melhor amigo literário?
Não sei se a pergunta se refere a escritores, ou personagens. Na dúvida, vou dividir a resposta. O autor, com certeza, vocês sabem qual é: Markus Zusak. Eu bem que responderia Fitzgerald, mas preciso de alguém que me anime e não que termine de me afundar. É bem provável que Scott e eu terminássemos abraçados um ao outro na valeta mais imunda da cidade. Markus, não. Markus é do tipo que pega a gente pela mão, descortina a realidade e nos mostra algo bem melhor. Quanto ao personagem, fiquei em dúvida entre Gatsby (O Grande Gatsby, F. Scott Fitzgerald) e Ed Kennedy (Eu Sou o Mensageiro, Markus Zusak). Bem, com Gatsby eu teria muita diversão, com certeza, mas problemas com a polícia também. E quem aguenta ficar ouvindo o dia inteiro o cara falar da Daisy? Ninguém merece. Ed Kennedy oferece mais aventura do que diversão, é provável que só fale da Audrey, mas tem menos polícia e, de quebra, o Porteiro! Quem não ama o Porteiro?!?

7. “Se dedica a família?” – Qual livro você mais se dedicou a ler?
Água para Elefantes, de Sara Gruen. Não é o que eu chamo de “nossa, como ela se dedicou ao livro”, mas foi o único que me fez buscar referências e dar bola para a bibliografia. Normalmente, eu pulo essas partes porque não estou a fim. Água para Elefantes não exige absolutamente nada do leitor, é uma leitura fácil e leve, mas para mim que sou curiosa a respeito de arte circense foi quase que um trabalho acadêmico. Foi deste livro, aliás, que retirei uma das imagens que mais uso por aí, pois a encontrei graças a fonte deixada pela autora. A partir dele comecei mesmo a pesquisar sobre o assunto, coisa que antes eu fazia “por brincadeira”. Até hoje o Água para Elefantes me ajuda!


8. “Farei uma oferta irrecusável a ele” – Indique 3 canais (ou blogs) para fazer essa tag.
Ninguém pode me obrigar, pois “todo o poder do mundo não pode mudar o destino”.


*o título deste texto foi parafraseado da citação “tenho uma fraqueza sentimental pelos meus filhos. Como pode ver, eu os estraguei. Eles falam quando deveriam ouvir”.

3 comentários:

Monique Químbely disse...

Minha estante no Skoob é cheia das benditas três estrelas, mescladas com as duas que beiram a uma, e isso me faz questionar qual o meu problema. Depois desse post não me sinto sozinha (não sei se isso é bom, mas ok).
Cê acredita que eu nunca assisti O Poderoso Chefão? Sinto que o universo nunca vai me perdoar por uma coisas que eu não faço ~~ Mas eu amei a TAG e acho que vou ver o filme só pra respondê-las (sem ser chamada, mas vai assim mesmo ^^).
Abraço!
Ps: acredita que fui ler o título do primeiro livro na foto da capa e li O Demônio da Meia Lua e não O Demônio do Meio-dia? ~~momentos~~
sete-viidas.blogspot.com

Cacá disse...

amei essa tag já tá lá nos meus rascunhos do blog pra fazer uma hora pq tb sou arroz de festa (hahaha meldels melhor piada!)

Jefferson Reis disse...

Comigo funciona de uma maneira parecida. Se todo mundo elogia, leio e acho uma *%#**. Se todo mundo fala que é uma *¨%**, leio e amo de paixão. Minha última grande decepção foi "Harry Potter e a Criança Amaldiçoada". Aquele livro é uma lástima. Já faz um tempo que não leio um livro e sinta algo realmente grandioso, como senti quando li "O Morro dos Ventos Uivantes".

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