5 de janeiro de 2016

Item nº 01

No final de 2014, abri uma planilha do Excel e fiz uma lista de objetivos para 2015. Eu estava cheia de planos e desejos. Tomei o cuidado de escolher somente os planos que estavam ao meu alcance, que dependiam de mim para acontecer. Há muitos anos eu não fazia aquilo e estava com saudades de sentir a expectativa que esses projetos trazem, mas ao mesmo tempo não levava muito a sério – “eu sei que vou abandonar isso antes de abril chegar”. Foi o que eu fiz com as listas anteriores (e o motivo por ter deixado de fazê-las).

Em meados de outubro percebi que todos os itens estavam riscados. Alguns não sobreviveram à empolgação do ano novo e foram cancelados, o resto eu completei aos poucos, sem pressa e completamente desacreditada do meu potencial. Eu só me lembrava daquela lista quando “cumpria alguma tarefa” e então me dava o prazer de eliminar um item. Normalmente, era a única sensação boa que eu tinha em semanas. Quando dezembro chegou e a lista estava concluída há muito, abri novamente o mesmo arquivo e montei uma nova coluna de projetos ao lado. A minha intenção era escrever sem parar assim como fiz um ano antes, porém, fui obrigada a me concentrar bastante para ao menos preencher a primeira linha.

Não consegui.

Assim como não consegui sentir o mínimo de entusiasmo na virada do ano, também. É comum ficar um pouco depressiva, frustrada, ou às vezes empolgada, mas na virada de 2015 para 2016 eu estava apática. Comemorei com os meus, curti os fogos de artifício e comi bastante, só que por dentro eu não sentia absolutamente nada. Eu sei que isso é comum para muitas pessoas, mas foi uma novidade para mim. Volta e meia encontro amigos que dizem não dar a mínima para o Ano Novo e até estão no quinto sono à meia-noite. Eu, por outro lado, sempre espero alguma coisa, penso em alguém especial, faço um desejo, tenho esperança. Esse vazio, portanto, foi um susto que está se refletindo na maldita Lista de 2016.


Não espero nada para esse ano. Não quero nada. Sim, eu adoraria viajar, conhecer bons restaurantes, fazer novas amizades, conquistar uma condição financeira melhor, ler ótimos livros e discutir sobre séries e filmes; quero que minha família permaneça em segurança e com saúde. Quem não quer?! O que me incomoda é a falta de objetivos mais concretos e pessoais – um guia para que eu não perca o foco em 2016. É claro que posso viver tranquilamente sem isso, mas gosto da ideia de estar seguindo um plano e me superando a cada etapa vencida. Para quem tem problemas emocionais (de qualquer espécie), as metas são muito importantes.

Pensei em várias coisas: ler a respeito de determinados assuntos; estabelecer metas para o ateliê; algum desafio; praticar o desapego; mudar um hábito; visitar parentes distantes; enumerar defeitos. Nada disso me inspirou; simplesmente não dou a mínima, não faz diferença. Não estou preocupada se o ano será bom, ou ruim, mas sim com esse vazio no peito. O primeiro item da minha Lista de 2016, no fim das contas, será “descobrir o que diabos aconteceu comigo”.

2 comentários:

Deise Lima disse...

Ô Trauti vamo ver um lugar no meio entre São Paulo e Salvador, vamos pra lá e vamos nos abraçar, pra ninguém andar demais?! Porque oh, namoral, esse texto veio de você mas diz muito, muito mesmo sobre mim também! Eu acabei, sério, acabei de escrever um texto no meu blog com título "Resoluções de ano novo" até aí tudo normal nessa primeira semana do ano na blogesfera, só que não tem meta nenhuma lá, nem desejo ou algum item rabiscado numa lista, tô nessa mesma vibe de ter desejado muita coisa ano passado e desse ano não estar desejando nada.
Olha, comentar aqui também foi um desabafo, assim como acredito ser esse texto seu. Se você quer mesmo descobrir o motivo desse vazio, vou desejar que você consiga e boa sorte no caminho!
Um abraço!
D'cifrando

Oh, Laila! disse...

Quando pensei numa lista de metas para 2016, lembrei apenas de coisas genéricas, como ler mais, fazer exercícios físicos, ter uma alimentação saudável. Acho que a gente escreve essas coisas para se sentir melhor, mas a verdade é que fica tudo perdido na correria. Melhor aproveitar o que cada dia tem para oferecer.

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