11 de março de 2016

Querido blog

Bem que eu gostaria de vir aqui escrever sobre os últimos livros que li, ou filmes que assisti, mas a única coisa que tenho feito é trabalhar, estudar e no meio tempo tento levar adiante algum projeto paralelo, que fiz o favor de inventar porque minha cabeça não consegue parar quieta. Há semanas eu não meditava, por exemplo, pois sempre estou exausta à noite. Ontem, no entanto, resolvi ignorar o cansaço e reservei quinze minutos para fazer uma meditação guiada. Você não imagina o milagre que se operou em minha pessoa. Foi só então que percebi a falta que eu estava sentindo de fazer certas coisas; e me dei conta de que além de aprender a me organizar, eu vou ter que aprender a me respeitar.

Levar o trabalho a sério não é uma qualidade, é uma obrigação, e de uns meses para cá o meu ateliê tem estado no primeiro dos primeiros lugares. De domingo a domingo, se não estou bordando, estou estudando empreendedorismo, participando de palestras, fazendo cursos, lendo livros técnicos, investindo em marketing digital, divulgando em todas as mídias sociais e, enfim, respirando o meu negócio independente 24 horas por dia. Isso é bom, e não estou reclamando. O problema é que, em contrapartida, outras coisas tem sido negligenciadas. Eu, por exemplo. Aliás, principalmente eu. 



Até parece um paradoxo, eu sei. “Mas como você consegue ficar de fora sendo que seu negócio é você”? Sim, o Nuvem Canela é o meu espelho, mas existem outras versões de mim por aí que também precisam de atenção. A versão escritora, que está desde o ano passado com um livro entalado na garganta e não consegue arranjar tempo para colocá-lo no papel; e quando tem tempo não consegue parar de pensar em como colocar em prática tudo o que os professores ensinaram, ao invés de se concentrar no próximo parágrafo.

A versão imaginativa, que está louca para atualizar o journal e seu Destrua este Diário, mas que só consegue se preocupar com o próximo bordado, que cores usará, qual design irá escolher, se a cliente vai aprovar, que precisa terminar a nova mandala para colocá-la no bastidor e, zap, despachar pelo correio antes que o prazo estoure. E a versão mãe de cachorro quer levar o Benjamin para o Parque da Independência, um lugar diferente, uma caminhada, qualquer programa canino, mas agora não dá!

Não me entenda mal: eu amo o que faço e, literalmente, vivo para isso. Não consigo me imaginar sem levantar de manhã cedo e encontrar minha mesa repleta de linhas, agulhas e bordados inacabados. É lindo! É o meu habitat. É o ideal para mim. Por outro lado, fim de semana é para descansar. Feriados são para aproveitar a família e tirar o atraso dos projetos paralelos. Quando se está passeando com o namorado não pode ficar com pressa de voltar para casa para finalizar um trabalho que só será entregue dali há cinco dias. Eu havia combinado que as manhãs estavam reservadas para os passeios com o Benjamin e não para as respostas de emails comerciais. As noites são para leituras, não criação de conteúdo. Sábado é dia de filmes e seriados, não mais trabalho.

Este texto foi escrito durante o meu almoço, um intervalo pequeno e conturbado. Após engolir a comida e correr para o celular para responder dúvidas de clientes, eu parei, contei até três e me sentei. Agora chega. Estou no meu horário de almoço e vou escrever um texto pessoal para você, caro blog. Ainda tenho alguns minutos preciosos que conquistei – não me foram dados de presente –, e se você quer saber: não tenho medo usá-los! Hoje à noite vou começar uma nova leitura, por simples prazer, e vou dormir tarde porque quero assistir um filme indiano que está na minha lista há anos. E vai ficar tudo bem.

Eu vou fazer com que fique tudo bem.

3 comentários:

Alessandra Rocha disse...

Isso isso isso <3 você tem que cuidar de você Del! Sabe que admiro muito seu trabalho e to louquinha pra receber minha capinha, mas se dê esse tempo, esse descanso. Ele é necessário e aposto que vai refletir muito positivamente no campo profissional também!

Tomara que o livro seja bom! :*

Nicas disse...

Acho linda essa paixão pelo seu atelie e toda essa (necessária) determinação. Mas não se esqueça de você. Vai ter muita, muita gente sempre cobrando e pedindo mais e sufocando, são seja mais uma dessas pessoas e saiba respeitar e exigir o seu tempo pra você. :)

Ricardo Monteiro disse...

É bonito isso de amar o que faz e fazer com amor.
Mas a gente precisa daquele tempo pra ficar de boa vendo um entretenimento qualquer. A gente precisa descansar.

Boa noite, bjos.

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