31 de julho de 2016

Como emagreci sozinha

Não acredito que, para certas situações, o corpo seja somente nosso. Ele está em todas as conversas, entra em qualquer tipo de discussão e apesar de considerá-lo um templo, dá mais polêmica do que religião. Existem as pessoas que dizem que mulher gorda é feia. Outras, levantam a bandeira de que o importante é se sentir bem, dando a impressão de que sua condição física não passa de um fator secundário, que se acomodar é um tipo de vitória sim, o inferno são os outros. Há aqueles, ainda, que só estão preocupados com o físico, num total desequilíbrio com o espiritual e mental.

Estou nem aí para essa gente.

Em maio desse ano tomei um choque de realidade quando não consegui vestir uma calça que adoro; me pesei e constatei que, por um passe de mágica, estava pesando 66 quilos. Naquele mesmo dia tomei a decisão que mudou os dois meses seguintes: agora chega! Isso aqui não é bagunça, não. Cortei frituras, doces, refrigerantes e qualquer bobagem do menu. Tirei uma foto minha, em frente ao espelho, usando a calça que não entrou – meu corpo parecia um colchão amarrado ao meio. Comecei a caminhar, sem pressa, pois era uma sedentária de carteirinha.



Eu não fui ao médico, não fiz exames, me joguei às cegas. É lógico que não recomendo isso! Deuzolivre você fazer merda e depois colocar a culpa em mim. Acontece que tenho o metabolismo acelerado, então perder peso não é exatamente um problema. O que me fez engordar tanto e em tão pouco tempo – além de ter criado o hábito de descontar frustrações na comida – foram os ansiolíticos e anti-depressivos. Sempre soube que bastava tirar a bunda do sofá para emagrecer. Só faltava o primeiro passo, o que significava ultrapassar um grande obstáculo chamado depressão. E para isso, sinto muito, não tem receita. A minha sorte foi ter tomado um enorme susto com meu peso e ter perdido minha calça favorita.

Durante um mês comi apenas comida caseira, que consistia em saladas, legumes, verduras e arroz integral. Nada de pão, somente bolacha água e sal. Tomei muita água, muita água, suco natural de laranja com couve e chá; diminui bastante o consumo de leite integral. Fazia caminhadas todos os dias, por pelo menos trinta minutos. No shopping, sem desculpas: enchia o prato de salada e servia uma fatia de frango grelhado. No final do mês, eu estava 2 quilos e 500 gramas mais magra!

Agora afrouxei um pouco a dieta. Continuo caminhando todos os dias (por 40 minutos com subidas intercaladas), mas de vez em quando como um pedacinho (no diminutivo mesmo) de chocolate, ou uma fatia fina de bolo. Há domingos em que tomo um copo de 300ml de Coca-Cola. Semana passada me permiti ir ao Rong He e me entupi de yakisoba e wan tun. No entanto, é aquela história: caminhadas e pesagem todo santo dia, religiosamente. Até criei uma planilha para acompanhar minha evolução e estabeleci um dia da semana para fazer a “pesagem oficial”. Hoje, dois meses após o início da dieta, já perdi 3 quilos e 800 gramas.

Por que estou contando isso? Porque sei que tenho muitos leitores depressivos, que devem estar passando por isso. Eu não sei como funciona seu metabolismo, não conheço seu histórico familiar, mas uma coisa posso te afirmar: é possível. Os medicamentos engordam e a depressão nos desmotiva – eu sei de tudo isso. Por outro lado, eu também sei que existe um gatilho em você, assim como há em mim (a maldita calça) que só precisa de um impulso. Assim que você começar, não vai mais querer parar. Hoje, se deixo de caminhar por um único dia, sinto falta. Além de emagrecer, faz bem para o corpo e a mente inteiros – minha psiquiatra já começou a preparação para diminuir a dose do meu remédio e essa, talvez, tenha sido a maior recompensa da minha dieta.

Infelizmente, não posso ir à sua casa para tirar sua bunda do sofá à força. Acredite, eu o faria com o maior prazer. O que posso fazer é escrever este texto e ter a esperança de que você seja alcançada(o) e seu gatilho, acionado. Isso pode demorar alguns dias, semanas, ou meses, mas daremos tempo ao tempo – afinal, cada um tem o seu. Só quero que você saiba que estarei te esperando aqui, do outro lado, mastigando cenouras cruas para aplacar a fome e usando um par surrado de tênis de corrida. Vai ser divertido.

Eu prometo!

5 comentários:

Camila de Paula disse...

Atividade física é um antídoto poderoso contra a depressão, e muitos precisam mesmo de alguém que os leve a força, rs. Não é nada fácil ter disposição durante a depressão, mas é preciso.

Eu detesto atividade física, mas por motivo de roupa apertada resolvi caminhar e correr num parque próximo de casa toda manhã. A preguiça de ir é imensa (e eu nem tenho depressão), mas depois que vou a sensação durante o resto do dia é incrível!

Parabéns, Del. Imagino a sensação maravilhosa de saber que você mesma é responsável pela sua melhora, por ver que pode ter o controle sobre você mesma.

Ricardo Monteiro disse...

O gatilho eu até tenho: minha camisa cinza favorita que deixa minha barriga bem em evidência. Mas eu não sei ser essa pessoa regrada e minha rotina também é uma loucura. Enfim, acho que em São Luís, especificamente no bairro em que eu moro, não é muito seguro fazer caminhadas, então estou pesquisando os preços de algumas academias aqui perto.

Foco para você.
Beijos.

Ana Jähne disse...

e eu aqui precisando de inspiraçäo nessa vida... aí vem você e... bang! näo só inspira como arraZa!
que a motivaçäo só continue e que continue fazendo ainda mais bem pra você.
parabéns e obrigada por compartilhar
;)

Larissa disse...

"Infelizmente, não posso ir à sua casa para tirar sua bunda do sofá à força."

Pena que a gente more longe, ia gostar muito de ser sua amiga. Já me identifiquei com várias coisas que você escreveu por aqui :)

Jaya Magalhães disse...

Moça,

EU NEM ACREDITO QUE PASSEI TANTO TEMPO SEM VIR AQUI.

É tão bom te ler. Seu texto hoje foi super inspirador. Vivi algo parecido e estou na luta pra perder uma barriguinha e seus pneus. Hahahah. É tão difícil fechar a boca! Mas tenho aprendido a fazer como você. E ler isso hoje muito me animou a continuar.

Um beijo,

Jaya.

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